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Transação com bitcoin movimenta R$ 4 bilhões em uma só transferência

Transação com bitcoin movimenta R$ 4 bilhões em uma só transferência.

A transação de 94.504 bitcoins tornou-se uma das maiores operações da história da criptomoeda.

"Você deveria pensar duas vezes antes de aderir à moda do bitcoin", mas por quê?

Não se deixe levar pela empolgação, pois bitcoin não é para todo mundo. Entenda quando vale a pena comprar.

Se você for uma das pessoas mais eufóricas com relação aos bitcoins no Brasil, você vai querer saber da notícia. De acordo com o Advogado Especialista em Crimes Digitais, Dr. Jonatas Lucena, o Bitcoin é embalado pela valorização de nada menos que 398% da moeda digital no ano.

Isso é bem acima da alta do Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, que subiu 28% no mesmo período. Mas os números enganam: não é fácil ganhar dinheiro com bitcoins.

O Dr. Jonatas Lucena explica: "Para comprar a moeda digital mais popular e outras criptomoedas, é preciso estar disposto a encarar um altíssimo risco de perder dinheiro, o que é maior do que qualquer outro investimento do mercado financeiro." Diz.

Isso se caracteriza porque o negócio é volátil. Os preços chegam a cair ou subir dois dígitos em um mesmo dia. Apesar da tendência de alta, da mesma forma que a moeda valorizou bruscamente em pouco tempo, pode despencar com a mesma intensidade.

Ocorre porque, atualmente, há um excesso de valorização dos bitcoins. Muitas pessoas compraram a moeda ao mesmo tempo, os preços subiram e uma bolha se formou no mercado diz Jonatas Lucena.

Na última quinta-feira no dia 5 de setembro de 2019, alguém realizou uma das maiores transações da história do bitcoin: 94.504 bitcoins. Considerando o valor atual da criptomoeda, cerca de US$ 10,6 mil, a transição equivale a aproximadamente US$ 967 milhões.

Essa gigante movimentação consta no blockchain do bitcoin, assim como todas as outras transações envolvendo a criptomoeda, mas os endereços permanecem anônimos por padrão.

Para tanto, é possível verificar que a transação ocorreu, mas quem é o autor da transferência, quem recebeu a quantia e o motivo da transação permanecem um mistério.

O Dr. Jonatas diz: "Em algumas pesquisas, foi verificado, de acordo com uma análise da Token Analyst, de que pelo menos um terço do dinheiro vem da Huobi Global", diz.

Ela é uma corretora de criptomoedas sediada em Cingapura. Isso pode significar grandes saques de um cliente da empresa ou que a própria Huobi está consolidando alguns de seus depósitos, explicou o portal Ars Technica.

Ainda segundo o portal, essa não é a maior transição de bitcoins. Em 2011, por exemplo, um usuário movimentou 550.000 bitcoins. Mas na época, a operação estava avaliada em US$1.5 milhões.

A bitcoin é uma moeda, assim como o real ou o dólar, mas bem diferente dos exemplos citados. O primeiro motivo é que não é possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida. Ela não existe fisicamente, é totalmente virtual.

"O outro motivo é que sua emissão não é controlada por um Banco Central." Comenta o Advogado Especialista em Direto Eletrônico. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins e registrar todas as transações feitas.

No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.

O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.

Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado Satoshi Nakamoto — que, até hoje, nunca teve a identidade comprovada.

De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido. Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites.

Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicado à tarefa, como o Avalon ASIC.

Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em corretoras específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas.

As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no software.

Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço.

As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. A compra não pode ser desfeita.

Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, mas vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de “regular” a moeda.

Por outro lado, países como a China fecham o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas (entenda melhor).

Nos Estados Unidos, a regulamentação das moedas digitais ainda é debatida.

Em dezembro do ano passado, começaram a ser negociados por lá contratos futuros da moeda. Nesse tipo de contato, o investidor se compromete a comprar ou vender um ativo por um determinado valor em uma data futura, com o objetivo de se proteger de oscilações de preços ou mesmo de especular. As negociações são feitas em bolsas específicas.

O valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização, mas retomou sua popularidade nos anos seguintes.

No ano passado, o interesse pela bitcoin explodiu e a moeda passou a ser um dos investimentos mais comentados do planeta. Em 2017, a moeda digital valorizou 1400% e atingiu a maior cotação da história: 19,3 mil dólares.

Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação.

Os críticos afirmam que a moeda vive uma bolha, semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII, que em algum momento deve "estourar".