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Exposição na internet: implicações e consequências

O que está por trás da exposição na internet

O filme Luna retrata a amizade entre duas adolescentes que vivem em contextos sociais diferentes, mas possuem problemas parecidos. A história se complica quando uma delas passa a ter sua intimidade exposta nas redes sociais e precisa lidar com uma situação cada vez mais opressiva.

A situação retratada no filme se assemelha muito ao caso que gerou a criação da lei 12.737, sancionada em 2012, aqui no Brasil. Conhecida popularmente como Lei Carolina Dieckmann, considera crime a invasão de aparelhos eletrônicos para obtenção de dados particulares. A lei recebeu o nome da atriz após o vazamento de fotos na internet nas quais ela aparecia nua.

O assunto exposição na internet é muito explorado na indústria cultural e, em sua maioria, tem como público alvo os jovens, os chamados nativos digitais, termo criado pelo americano Marc Prensky para descrever aqueles que nasceram na época em que tecnologias digitais já eram uma realidade, portanto, não precisaram se adaptar. Esse debate pode ser analisado a partir de duas vias, são elas: a invasão e a evasão de privacidade.

Invasão x Evasão

Casos como o da Carolina Dieckmann e a personagem do filme de Cris Azzi são frutos da já conhecida invasão de privacidade. Mas uma pesquisa realizada pelo Portal Educacional, com mais de 10,5 mil adolescentes de 13 a 17 anos, mostra que 71% postam fotos nas redes e 35% não usam filtros para impedir que qualquer um acesse suas informações. Os dados exemplificam o cenário da evasão de dados nas redes sociais, em que expor a vida privada torna-se praticamente um pré-requisito para ganhar curtidas e seguidores.

As consequências disso podem ser perigosas. Em 2014, por exemplo, um sequestrador usou o que era publicado no perfil da vítima para sequestrá-lo, e disse ter descoberto escola da criança e trabalho do pai pelo Facebook.

Quando a internet começou a alcançar a população em geral, nos anos 1990, a ideia de que seria possível integrar o mundo e democratizar a informação, ainda que real em certos sentidos, não nos preparou para lidar com essa ferramenta de maneira realista. Mas agora é preciso enxergar a internet como um ambiente complexo, e reconhecer que ainda estamos tateando.