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A deep web foi criada para propagar o mal? - advogado especialista responde

Sempre que vem à tona escândalos e massacres como os que aconteceram em Suzano e na Nova Zelândia, reacende-se os assuntos e perguntas relacionadas à Deep Web, tendo em vista que em ambos os casos os atiradores participavam de fóruns de discussões e divulgaram suas intenções nesse ambiente oculto da internet.

A Deep Web nada mais é do que uma plataforma de acesso muito mais abrangente que a internet comum, tendo um conteúdo muito mais diversificado, possibilitando que os internautas façam uso dela de forma sigilosa.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o acesso à Deep Web não é ilegal, diversos internautas preferem usá-la para ter mais privacidade, e muitas pessoas e instituições fazem uso dessa rede para compartilhar e hospedar arquivos sigilosos, que não podem estar disponíveis no ambiente da web comum. Há especulações de que o exército, as forças policiais, jornalistas e até mesmo cidadãos comuns recorrem à Deep Web para fins específicos.

Entretanto, o que pode ser considerado crime é o que se faz dentro da Deep Web, pois tal ambiente proporciona amplo acesso à coisas meramente bizarras, como: venda de órgãos, de pessoas, e até mesmo de entorpecentes e armas de fogo.

Certamente o propósito da Deep Web em si nunca foi propagar o ódio ou até mesmo incentivar as pessoas a praticarem qualquer mal a seu próximo. Contudo, assim como uma faca, um carro, um fósforo e um galão de gasolina que à priori são inofensivos, a Deep Web também pode ser também considerada inofensiva, desde que nenhuma pessoa má intencionada passe a utilizá-la para propagar o mal.

A deep web foi criada para propagar o mal?

É inegável investigar e acompanhar o que acontece na Deep Web não é um trabalho nada fácil para as polícias e até mesmo o Judiciário, porém fazer isso não é impossível, somente requer mais atenção e técnica daqueles que são responsáveis por tais investigações.

Contudo, certamente a maior e melhor prevenção pode acontecer com a aplicação de políticas públicas voltadas aos adolescentes, pois em casos como o massacre de Suzano, podemos perceber que o perfil desse tipo de jovem que comete crimes dessa natureza sempre é o mesmo, estando afastados da escola, sem trabalho e vivendo em meio de uma família desestruturada.

O Estado tem sua parcela de culpa quando vira as costas para a realidade de milhares de jovens que vivem situações semelhantes, e ao invés de culpar a internet e os videogames, deveria se colocar em seu lugar e oferecer oportunidades para que os adolescentes possam trabalhar e estudar, se distanciando do crime.

Temos que sempre ter em mente que as crianças e os adolescentes são o futuro de nosso mundo, e como adultos devemos preservá-los e oferecer o devido acompanhamento e suporte para que se tornem pessoas importantes para que a sociedade passe por mudanças sadias.